segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Os Grandes Mestres - Parte XIII


MARGOT FONTEYN

    Ao comentar uma atuação de Margot Fonteyn, o importante crítico inglês Richard Buckle confessou que preferia falar mais sobre o que a ballerina expressava em dança a falar sobre o que executava em passos, porque de há muito Margot Fonteyn havia ultrapassado o ponto em que fosse preciso discutir sua performance física, quer num papel novo quer num já conhecido. “Existe uma espécie de barreira do som acima da qual a dança – agitação de braços e pernas – torna-se uma força moral.”



     O mesmo conceito aplica-se à carreira desta dançarina inglesa de sangue brasileiro. Torna-se inútil repetir dados biográficos ou cronológicos, pois muito mais importante do que fez ontem é o que ela significa neste momento. Como Pavlova foi para uma geração anterior um símbolo da dança clássica, Fonteyn simboliza hoje o balé- o balé inglês em particular e o balé como se pratica hoje, em geral. Modelo da bailarina ideal em forma e espírito, modelo das proporções clássicas e da musicalidade da dança, modelo de integridade profissional, de humildade artística, de idealismo, Margot Fonteyn personifica ainda as realizações e conquistas do balé ocidental nestes últimos cinquenta anos.
Desde sua estréia, em 1934, aluna e adolescente, Margot Fonteyn cresceu e desenvolveu-se com sua companhia The Royal Ballet, internacionalmente famosa como o maior conjunto de balé ocidental, que teve sempre como fator principal de sua ascensão, em qualidade e popularidade, a pequena Margot – de solista a primeira dançarina, de ballerina a prima-baillerina absoluta e que, no seu modesto esplendor, ultrapassou as fronteiras do balé britânico para firmar-se e ser confirmada a maior dançarina de nossa época.

    Para ser a maior ballerina contemporânea, Margot Fonteyn transforma-se, no universo mágico do teatro, em Odette-Odile, Giselle, Sylvia, Ondine, Cinderella ou a Baiadera, o Pássaro de Fogo ou a Bela Adormecida, Raymonda ou a Peri, Julieta ou Marguerite. Mas, quando ela deixa essas personagens de sonho para voltar a ser Margot Fonteyn, simples e discreta fora do palco, continua a mais prestigiosa e prestigiada das grandes ballerinas atuais, exposição única no cenário mundial. Foi como decorrência de seu valor que a Rainha da Inglaterra lhe deu as condecorações Commander of British Empire e Dame of British Empire. Doutora honoris causa em literatura pela Universidade de Leeds; em música pelas Universidades de Londres e Oxford, e presidente da tradicional instituição de dança: The Royal Academy of Dancing.
Tudo isso porque, como declara outra grande dame do balé inglês, Ninette de Valois:

“Raramente na história de qualquer teatro, uma artista tem servido e enriquecido uma instituição como Margot Fonteyn ao Royal Ballet nesses 45 anos. O seu nome viverá na história do balé como vive hoje nos corações de seus diretores e colegas dançarinos, de seu público inglês e seu público internacional.”

FONTEYN E NUREYEV
    E também viverá no coração do público de balé, o brasileiro em particular, para quem ela dançou desde 1959, especialmente na temporada de 1967, com Nureyev, de 1974, criando o balé brasileiro A Floresta Amazônica, com música de Villa-Lobos, e de 1978, quando levou o encanto de sua arte até Goiânia. Faleceu em fevereiro de 1991.   

FONTE: Achacar, Dalal. Balé: uma arte. Ediouro RJ, 1998.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Os Grandes Mestres - Parte XII

GEORGE BALANCHINE

    Considerando o verdadeiro criador do bailado contemporâneo e um dos maiores influenciadores do mundo da dança de nossos dias, George Balanchine nasceu em São Petersburgo, em 1904, com o nome de Georgi Militonovitch Balanchivadze. Por influência do pai compositor, o jovem bailarino estudou composição e piano no Conservatório de Leningrado, o que se tornaria no futuro a base para ser considerado pelos críticos como “o coreógrafo de maior conhecimento musical de nossos tempos”.

GEORGE BALANCHINE

    Ingressando na Escola Imperial, em 1914, formou-se na mesma instituição sete anos depois, mas já agora com o nome de Escola de Bailado do Estado Soviético. Estreou como coreógrafo em 1923, com um pequeno grupo de bailarinos entre os quais Alexandra Danilova. No ano seguinte, a pequena companhia, que tinha o rótulo de “Os Bailarinos do Estado Russo”, aproveitou uma tournée pelo estrangeiro, a fim de fugir para o mundo ocidental. Foi quando Balanchine ingressou com seus bailarinos na Companhia Diaghilev, criando coreografias importantes como La Pastorale, Jack in the Boxe Triumph of Neptune.  
    
    Com a morte de Diaghilev, tornou-se o primeiro coreógrafo do Ballet de Monte Carlo, produzindo então La Concurrence, Cotillon e Le Bourgeois Gentilhomme. Nessa ocasião, descobriu e lançou talentos como Baronova e Toumanova. A seguir, criou uma série de obras para Les Ballets 1933, de Edward James, entre os quais Mozartiana, Errante, Songes e Os Sete Pecados Capitais.
A convite de Lincoln Kirstein, Balanchine partiu para os Estados Unidos em fins de 1933 para fundar a Escola de Bailado Americano. Desde então, numa sucessão de trabalhos e aventuras que culminou com a fundação do New York City Ballet, Balanchine passou a liderar o bailado na América do Norte juntamente com Kirstein.


   
BAILARINAS DE GEORGE BALANCHINES SCHOOL OF AMERICAN BALLET
    Considerado como o mestre do bailado abstrato com base de inspiração na música, George Balanchine é um dos mais brilhantes, talentosos e fertéis coreógrafos como William Dollar, John Taras e Tood Bolender. Como diretor artístico, além de coreógrafo, Balanchine tende a menosprezar o cenário e os figurinos, em parte por razões financeiras, em parte devido às suas concepções sobre a relação entre a música e o movimento. A produção de Balanchine como coreógrafo já ultrapassou 80 bailados. Os mais importantes são: Serenade, Le Baiser de la Fee, Ballet Imperial, Night Shadow, Theme and Variations, Four Temperaments, Symphonic in C, Agon, La Valse, Western Symphony, Liebeslieder Walzer, Midsummer’s Night Dream, Jewels, Le Bourgeois Gentihomme. Faleceu em abril de 1983.

FONTE: Achacar, Dalal. Balé: uma arte. Ediouro RJ, 1998.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Os Grandes Mestres - Parte XI

ROLAND PETIT

    Nasceu em Villemomble, perto de Paris, em 1924. Iniciou seus estudos de dança aos nove anos na Escola de Ópera de Paris, onde sete anos ou mais tarde entrada para o Corpo de Baile. Sob a tutela de Serge Lifar, foi lançado no papel de Carmelo em L'Amour Socier. Associado a Janine Charrat, aprendeu coreografia e direção de cena, graças aos recitais do jovem par durante a guerra. Na libertação de Paris, em 1944, Roland Petit abandonou a Ópera, iniciando suas famosas Soirées de Dance no Teatro Sarah Bernhardt. Elas foram a origem do Ballets de Champs Elysées fundado por Roland Petit em outubro de 1945, juntamente com Boris Kochno, Irene Lidova e outros.

ROLAND PETIT

    Tornando-se célebre de um dia para o outro com sua coreografia para Les Forains, Roland Petit produziu outras criações primorosas como: Le Rendez Vous, Les Amours de Jupiter, Le Homme ef al Mort. Depois desta primeira experiência bem-sucedida, resolveu fundar sua própria companhia, Les Ballets de Paris, produzindo entre outras obras Le Demoiselles de la Nuit, Le Loup, Cyrano de Bergerac e Carmen. Montou também em Hollywood bailados para filmes, afastando-se assim do balé puro em favor do music hall, no que foi bastante criticado.

ROLAND PETIT E ZIZI JEANMAIRE

     Com obra variadíssima e personalíssima, Roland Petit situa-se entre os melhores coreógrafos modernos, traduzindo o espírito e o bom gosto de Paris. Com raro sentido de espetáculo, consegue o equilíbrio perfeito entre a música, o tema, a coreografia, os cenários e os figurinos. A dança é, para ele, um elemento da produção teatral que se une à mímica e às vezes à canção. Sua arte é feita de contrastes.
Seus balés mais recentes são: Turangalila, Symphonie Fantastique, Notre Dame de Paris, La Dame de Pigue, Chauve Souris, e uma nova versão de Coppelia.


ROLAND PETIT E ZIZI JEANMAIRE


FONTE: Achacar, Dalal. Balé: uma arte. Ediouro RJ, 1998.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Os Grandes Mestres - Parte X

SERGE LIFAR

    O famoso crítico André Levinson escreveu uma vez dizendo que a Rússia tinha reembolsado a França do empréstimo de Petipa, enviando-lhe Serge Lifar. Isto é uma verdade. Nascido em Kiev, em 1905, terminou os estudos superiores, aprendendo piano e violino no Conservatório. Começou a dançar na Escola do Estado, nos primeiros tempos da Revolução, onde estudou com Nijinska. Veio para a companhia de Diaghilev em 1923, tornando-se primeiro bailarino em apenas dois anos, graças ao seu talento e ao seu esforço aliados à dedicação de seu professor Enrico Cecchetti.

SERGE LIFAR


    Realizando a sua primeira coreografia em 1929 com nova versão de Le Renard, de Stravinsky, foi contratado no ano seguinte como primeiro bailarino e coreógrafo da Ópera de Paris, tornando-se professor dois anos depois e mais tarde seu diretor. Criou na Ópera mais de 45 bailarinos, formou um grande público e uma geração de brilhantes bailarinos, reanimando a tradição francesa. Foi nesta época que Lifar realizou a maior parte de sua obra coreográfica, dançando algumas vezes os papéis principais.










    Entre seus balés destacam-se: Dramma per Música, Le Chevalier et la Demoiselle, Icare, Creatures de Prometée, Joan de Zarissa, Mirages, Nauteos, Suíte em Blanc e Phèdre. Serge Lifar escreveu 25 livros entre os quais destaca-se Le Manifeste du Choreographe, publicado em 1935, no qual ele afirma que o balé deve permanecer estreitamente ligado à sua base natural: a dança.














    A obra de Lifar é notável, e sua personalidade bastante discutida. Entretanto, ninguém pode tirá-lo do lugar de relevo entre os criadores do bailado contemporâneo. A arte do balé na França foi consideravelmente beneficiada com o seu trabalho. Ele manteve o prestígio da dança masculina e tirou a Ópera de Paris da Ietargia. Suas criações são conhecidas no Brasil por meio de filmes, da temporada do Ballet da Ópera de Paris em 1950 e da temporada de reabertura do Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 1934, quando criou a coreografia para Jurupary, com música de Villa-Lobos. Serge Lifar dançou pela última vez em Giselle, em 5 de dezembro de 1956, na Ópera de Paris.






TAMARA TOUMANOVA E SERGE LIFAR - LAGO DOS CISNES 1939/1940

FONTE: Achacar, Dalal. Balé: uma arte. Ediouro RJ, 1998.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Os Grandes Mestres - Parte IX

FREDERICK ASHTON

    Nasceu em Gayaquil, no Equador, em 1906. Começou a dançar como aluno de Massine, ligando-se depois à companhia de Ida Rubinstein, onde sofreu a influência de Bronislava Nijinsky. Foi aluno de Marie Rambert, adquirindo com ela disciplina e orientação. Como coreógrafo, Ashton teve aceitação imediata devido ao grande efeito teatral de suas criações, além da elegância e da originalidade que marcavam todas as suas obras. Tinha pouco a dizer mas se expressava com extraordinário encanto e facilidade.

FREDERICK ASHTON
    Frederick Ashton tem uma produção coreográfica rica e inspiradora. Desde 1926, com The Tragedy of Fashion para o Ballet Club, criou uma série de obras interessantes. Produziu para Camargo Society, Sadler’s Wells Ballet, Festival Ballet, New York City Ballet e Royal Danish Ballet. Reviveu os bales longos em dois e três atos e suas obras mais importantes são: Cinderella, Ondine, Sylvia, La Fille Mal Gardée, Symphonic Variations, Facade, A Month in the Country, A Wedding Bouguet, Birthday Offering e The Dream. Criou o balé para o filme Contos de Hoffman, em 1950. 


ASHTON, FONTEYN E ROBERT HELPMANN EM APPARITIONS 1950

   

FREDERICK ASHTON EM LES ENCHANTEMENTS DE LA FÉEALCINE



    

    Em Cinderella, Ashton criou o primeiro balé inglês de grandes dimensões, abrindo caminho para outras obras importantes. Seu nome figura entre os dois maiores coreógrafos de nossa época. Em 1965, Ashton substituiu Ninette de Valois na direção do Royal Ballet. Ashton recebeu da Rainha da Inglaterra o título de Sir.







  
FONTE: Achacar, Dalal. Balé: uma arte. Ediouro RJ, 1998.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Os Grandes Mestres - Parte VIII

TAMARA KARSAVINA

    Nascida em São Petersburgo em 1885, faleceu em Londres, em 1978, aos 93 anos.
   Formada pela Escola Imperial, entrou no Teatro Mariynsky, já como solista, em 1902. Em 1909, passou a primeira bailarina.

TAMARA KARSAVINA

     Sofreu grande influência artística de Fokine que, naquela época, encontrou em Karsavina sua inspiração. Participou, com Nijinsky, como primeira figura do Ballet Russo de Diaghilev, até o final da companhia.
     Foi aí que Fokine criou, com ela, os imortais balés Les Sylphides, Carnaval, Petrouchka, Spectre de la Rose, entre muitos outros.
    De grande inteligência, finura e expressividade, foi durante toda a vida uma maravilhosa bailarina apreciada no mundo inteiro. Karsavina é, hoje, talvez, junto com Fonteyn, a bailarina mais querida, amada e respeitada, tanto pelo público como por seus colegas.
    
TAMARA KARSAVINA AND ADOLPH BOLM EM FIREBIRD 1911
    Criou também o papel feminino do Le Tricorne de Leonide Massine.
    Mais tarde, morando na Inglaterra e casada com diplomata inglês, Karsavina foi vice-presidente da Royal Academy of Dancing, onde deu muito de seus ensinamentos e ajudou Margot Fonteyn em vários trabalhos, especialmente no Pássaro de Fogo e em Giselle, além de ensinar e ajudar Ashton no I ato de La Fille Mal Gardée.

KARSAVINA E NIJINSKY
  
    Até o final de sua vida, com a mente sempre lúcida, orientou vários artistas e professores.
   Hoje na Inglaterra está havendo um levantamento de fundos para o memorial Tamara Karsavina, a inesquecível.
    Escreveu Theatre Street, livro considerado um dos clássicos da literatura de balé.

FONTE: Achacar, Dalal. Balé: uma arte. Ediouro RJ, 1998.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Os Grandes Mestres - Parte VII

MARIE RAMBERT

    Polonesa de Varsóvia, nasceu em 1888 com o nome de Myriam Ramberg. Marie Rambert ocupa um lugar de destaque na história do balé inglês. Antes da Camargo Society, antes do Vic Wells, ela mostrou seu talento como bailarina, sendo a primeira a apresentar no palco um grupo de jovens solistas com os seus próprios nomes, contrariando a moda “russificar” os nomes dos bailarinos.

MARIE RAMBERT
    Depois de uma temporada de espetáculos públicos, nos quais Tamara Karsavina consentiu em aparecer ao lado dos jovens prodígios ingleses, Marie Rambert fundou o Ballet Club numa velha casa paroquial, transformada por seu marido Ashley Dukes num elegante teatro. 
 
THE MARIE RAMBERT DANCERSASHTON AND PEARL ARGYLE ARE THE SECOND COUPLE FROM RIGHT
     Essa foi a primeira residência permanente do bailado na Inglaterra. Contratando Tamara Karsavina e Leon Woizikovsky, Rambert via seu sonho realizado: um teatro com uma companhia e uma escola próprias. Apesar de as dimensões do palco do Ballet Club não oferecerem a disponibilidade mínima de espaço necessário à exibição de uma grande companhia, foi lá que se revelaram grandes artistas.

MARIE RAMBERT COM SEU ALUNO
    Foi no Ballet Club que Frederick Ashton criou o seu primeiro trabalho importante: A Tragedy of Fashion. Lá, também William Chappell descobriu seu talento como cenógrafo e figurinista; Harold Turner dançou Le Spectre de la Rose merecendo que Karsavina o aceitasse como partner. Foi ainda no pequeno palco do Ballet Club que Pearl Argyle, Maude Lloyd, June Brae, Margot Fonteyn, Alicia Markova, Prudence Hyman, Andrée Howard, Diana Gould começaram a despertar interesse de um público limitado mas artisticamente influenciável.

MARIE RAMBERT EM UMA DE SUAS AULAS!
     Marie Rambert não só teve o mérito de descobrir jovens talentos do balé inglês, mas de guiá-los pelos caminhos da técnica e da força de vontade. Sua extraordinária vitalidade e suas faculdades criadoras ultrapassam o ensino específico. Sem ser coreógrafa, ensinou coreografia a Frederick Ashton, a Antony Tudor, a Andrée Howard, a Walter Gore e a Frank Staff. Fez William Chappell desenhar cenários e figurinos, demonstrando que uma escola de dança não deve ser apenas um campo de preparação física, mas um centro cultural completo. Outra descoberta atribuída a Marie Rambert foi o balé de câmera.

FONTE: Achacar, Dalal. Balé: uma arte. Ediouro RJ, 1998.